Eu ensino nos dois formatos, então poderia usar este texto para empurrar o mais caro. Não vou fazer isso, porque a escolha errada aqui custa mais do que dinheiro: custa a chance de você atender bem.
Presencial e online formam gente boa. O que muda é o que cada um cobra de você.
A comparação honesta
| Critério | Presencial | Online (EAD) |
|---|---|---|
| Prática supervisionada | Em tempo real, com correção imediata | Depende de gravar e enviar, ou de grupo de prática |
| Repetir o conteúdo | Passou, passou | Quantas vezes quiser |
| Ritmo | Do grupo | Seu |
| Custo total | Curso mais deslocamento, hospedagem e dias parados | Só o curso |
| Rede de contatos | Forte, cria parceria e indicação | Existe, mas exige esforço ativo |
| Praticar com desconhecido | Garantido | Você precisa provocar |
| Quem abandona menos | Quem precisa de compromisso marcado | Quem tem rotina imprevisível |
| Validade perante o conselho | A mesma. O que vale é o escopo da sua profissão, não o formato | |
O que só o presencial entrega
A prática supervisionada em tempo real. Você induz, alguma coisa sai diferente do esperado, e tem alguém do lado para dizer o que fazer naquele segundo. Esse é o momento em que a maioria dos alunos aprende de verdade, e ele é difícil de reproduzir por vídeo.
Tem também o que ninguém coloca no material de venda: você pratica com estranhos. Treinar com o cônjuge é confortável demais e não prepara para o consultório.
O que só o online entrega
Repetição. Você assiste à mesma indução quinze vezes, para no ponto exato em que a voz muda, volta, anota. No presencial aquilo passou uma vez.
E entrega acesso. Quem mora longe dos grandes centros, quem tem plantão, quem tem filho pequeno: para essas pessoas o online não é a segunda opção, é a única que existe. Fingir o contrário é desonesto.
A pergunta que decide
Não é “qual é melhor”. É “qual é o meu gargalo hoje?”.
Se o seu gargalo é conhecimento, se você ainda não sabe o que é fenômeno hipnótico nem como estruturar uma sessão, comece online. Você vai cobrir mais conteúdo por menos e no seu ritmo.
Se o seu gargalo é coragem, se você já leu bastante mas trava na hora de conduzir alguém, o presencial resolve mais rápido, porque ele te obriga a fazer.
Sobre certificação
Aqui não existe diferença que importe. O que dá validade ao seu trabalho não é o formato do curso, é o seu conselho profissional. A hipnose é reconhecida como recurso auxiliar dentro do escopo de cada profissão: o Conselho Federal de Odontologia em 1993, o Conselho Federal de Medicina com o Parecer 42/1999, o Conselho Federal de Psicologia com a Resolução 013/00, o COFFITO em 2010, o Conselho Federal de Enfermagem em 2018 e o Conselho Federal de Fonoaudiologia em 2020.
Nenhum deles pergunta se você aprendeu em sala ou em vídeo. Todos perguntam se você pode aplicar aquilo dentro da sua profissão.
A resposta que eu dou quando insistem
Comece pelo que você consegue terminar. Formação abandonada na terceira aula não forma ninguém, e o formato que cabe na sua vida é o que você conclui.
Referências
- Conselho Federal de Medicina. Parecer CFM n.º 42/1999, sobre hipnose médica. Acessar
- Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP n.º 013/2000, que regulamenta o uso da hipnose como recurso auxiliar do psicólogo. Acessar
ESCRITO POR
Lucas Naves
Professor de Hipnose Clínica e Trainer em Programação Neurolinguística. Criou o Protocolo Naves e já formou mais de 60 mil alunos. Conheça a história dele.
