Essa é a primeira dúvida de quase todo mundo que pensa em se formar, e é uma dúvida legítima. Ninguém sério adota uma técnica sem saber se ela tem respaldo.
Vou responder de forma direta e depois explicar o que a resposta significa na prática, que é onde a confusão costuma morar.
Dá para ser preciso aqui, com data e documento. No Brasil, o primeiro conselho profissional a reconhecer a hipnose como recurso clínico foi o Conselho Federal de Odontologia, em 1993. Vieram depois o Conselho Federal de Medicina, com o Parecer CFM 42/1999, o Conselho Federal de Psicologia, com a Resolução CFP 013/00, de 20 de dezembro de 2000, o COFFITO em 2010, o Conselho Federal de Enfermagem em 2018 e o Conselho Federal de Fonoaudiologia em 2020. Repare no padrão: em todos os casos a hipnose é reconhecida como recurso auxiliar dentro do escopo de cada profissão, nunca como profissão própria.
O reconhecimento hoje
A hipnoterapia é considerada segura e é reconhecida por diversos conselhos federais no Brasil, entre eles:
- Conselho Federal de Psicologia
- Conselho Federal de Medicina
- COFFITO, Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional
- Conselho Federal de Enfermagem
- Conselho Federal de Odontologia
Ou seja: não se trata de uma prática marginal. É um recurso aceito dentro da saúde, com décadas de uso documentado.
O que reconhecimento significa, e o que não significa
Aqui está o ponto que mais gera mal-entendido.
Reconhecimento não transforma a hipnose em profissão autônoma. Não existe conselho de hipnoterapeutas, não existe registro profissional de hipnoterapeuta, e ninguém se torna profissional de saúde por ter feito um curso de hipnose.
O que existe é isto: a hipnose é uma ferramenta, aplicada dentro do escopo de cada profissão regulamentada.
- O psicólogo usa hipnose no contexto da psicologia
- O médico usa no contexto da medicina
- O dentista usa no contexto odontológico
- O fisioterapeuta usa no que compete à fisioterapia
- O enfermeiro usa no que compete à enfermagem
Ninguém passa a poder diagnosticar, prescrever ou tratar transtorno porque aprendeu hipnose. A ferramenta amplia o que você já pode fazer, ela não amplia o seu escopo.
Hipnose é uma ferramenta dentro da sua profissão, não uma profissão nova.
E quem não é profissional de saúde?
Essa pergunta merece uma resposta honesta, porque é onde muita gente é enganada.
Existe um campo legítimo de aplicação fora da saúde: autoconhecimento, desenvolvimento pessoal, performance, hábitos, foco, preparação para situações específicas. A auto-hipnose, por exemplo, é acessível a qualquer pessoa e não depende de formação em saúde.
O que não é legítimo é atender quadro clínico sem habilitação. Tratar depressão, transtorno de ansiedade, transtorno do pânico, fobia com prejuízo funcional ou dor crônica exige profissional de saúde. Fazer isso sem escopo expõe a pessoa atendida a risco e expõe você a responsabilização.
Se esse é o seu caso e o seu objetivo é atender clinicamente, o caminho é a graduação na área. Não existe atalho, e quem te oferecer um está te vendendo problema.
Como verificar o seu caso
A orientação prática é simples: consulte o conselho da sua categoria. Cada um tem suas resoluções e seus limites, e eles mudam com o tempo. O que vale para o psicólogo não é idêntico ao que vale para o fisioterapeuta.
Um bom curso vai te dizer isso na primeira aula. Se um curso promete que você vai “poder atender qualquer pessoa” sem perguntar qual é a sua formação, considere isso um sinal.
E a certificação internacional?
Vale explicar, porque também gera confusão.
Certificado internacional atesta que você concluiu uma formação com determinado padrão e carga horária, reconhecida por uma instituição no exterior. No caso do Instituto, os certificados são chancelados pela International Mind Training Academy, registrada nos Estados Unidos, e nós publicamos a documentação dela abertamente justamente por causa da quantidade de promessa vazia que circula nesse mercado.
O que um certificado internacional não faz: ele não concede registro profissional no Brasil e não substitui o seu conselho. Nenhum certificado, de nenhum país, faz isso. Quem afirma o contrário está mentindo.
O valor real dele é outro: comprova formação, dá padrão de qualidade e tem peso na apresentação profissional. É importante, só não é o que alguns vendem.
Em resumo
A hipnose tem respaldo, é reconhecida por conselhos federais e é usada há décadas dentro da saúde. Ela é uma ferramenta poderosa e é uma ferramenta com regras.
Entender essas regras é parte de ser um bom profissional, não um detalhe burocrático. Foi assim que eu construí o trabalho do Instituto, e é assim que ensino nas formações presenciais e online.
Referências
- Conselho Federal de Medicina. Parecer CFM n.º 42/1999, sobre hipnose médica. Acessar
- Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP n.º 013/2000, que regulamenta o uso da hipnose como recurso auxiliar do psicólogo. Acessar
ESCRITO POR
Lucas Naves
Professor de Hipnose Clínica e Trainer em Programação Neurolinguística. Criou o Protocolo Naves e já formou mais de 60 mil alunos. Conheça a história dele.
